Uma família denunciou episódios de bullying sofridos por um adolescente de 16 anos em uma escola estadual localizada no Bairro Dom Lustosa, em Fortaleza. O jovem teria sido forçado por um grupo de colegas a comer pelo menos sete pedaços de bolo e também foi filmado enquanto utilizava o banheiro da instituição. O caso ocorreu na quinta-feira (26).
Os familiares tomaram conhecimento da situação após a divulgação de vídeos em uma rede social de um dos envolvidos. Nas imagens, estudantes aparecem constrangendo o adolescente, que não reage às agressões, enquanto os demais riem e fazem comentários vexatórios. O conteúdo se espalhou rapidamente e gerou indignação nas redes.
Segundo um parente, que preferiu não se identificar, o estudante foi diagnosticado ainda na infância com uma síndrome que compromete seu aprendizado e contribui para o ganho de peso, condição que o levou à obesidade. A família afirma que o jovem tem enfrentado dificuldades relacionadas a preconceito e exclusão.
Após a repercussão do caso, diversas pessoas manifestaram solidariedade à vítima e aos familiares. “Eu, como mãe atípica, estou com meu coração tão triste”, escreveu uma internauta. “Que tristeza o que fizeram com essa criança. Justiça”, comentou outro usuário.
Medidas adotadas pela escola
Em nota, a Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) afirmou que repudia “de forma veemente” qualquer prática de bullying e que atua imediatamente ao tomar conhecimento de situações desse tipo.
De acordo com a pasta, a Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza (Sefor) iniciou ações de conscientização com todas as turmas da unidade. Na manhã de sexta-feira (27), os estudantes participaram de uma reunião para discutir o ocorrido.
A vítima e seus familiares estão sendo acompanhados por meio de acolhimento, escuta e mediação, com oferta de suporte psicológico. Já os alunos apontados como responsáveis foram convocados, juntamente com seus responsáveis legais, para serem informados sobre as possíveis consequências escolares e legais, conforme o regimento interno da instituição.
A Seduc informou ainda que será realizada uma reunião do Conselho Escolar com a Comissão de Prevenção e Proteção Escolar para definir encaminhamentos. Ao longo da próxima semana — e durante o restante do ano letivo — a comunidade escolar deverá intensificar ações educativas sobre bullying, com apoio de psicólogos e assistentes sociais.
A Secretaria ressaltou que todos os procedimentos envolvendo estudantes devem garantir o sigilo e a proteção dos menores de idade.
Investigação policial
A Secretaria da Segurança Pública informou que uma equipe do Grupo de Segurança Escolar (GSE), vinculado ao Comando de Proteção e Apoio às Comunidades (Copac), da Polícia Militar, foi enviada à escola após a denúncia.
As circunstâncias do caso serão apuradas pela Polícia Civil. A orientação é que familiares da vítima compareçam a uma unidade policial para prestar mais informações que auxiliem nas investigações.
A pasta destacou ainda que as polícias Militar e Civil desenvolvem ações preventivas por meio do Copac e do Núcleo de Proteção ao Estudante (Nupre), com foco na promoção da cultura de paz e na prevenção à violência no ambiente escolar. Entre as iniciativas estão visitas às escolas, palestras educativas e rodas de conversa sobre respeito às diferenças, empatia, combate ao cyberbullying e incentivo à denúncia segura.
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